Os golpes envolvendo compra, venda e aluguel de imóveis têm se multiplicado em Mato Grosso, acompanhando a escalada dos crimes de estelionato no estado, que já somam cerca de 17 mil ocorrências por ano, o equivalente a um golpe a cada 31 minutos, com crescimento de 316% desde 2018, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025.
Para evitar esse tipo de fraude, os Cartórios de Registro de Imóveis disponibilizam o site oficial RI Digital (ridigital.org.br), plataforma que reúne dados de mais 2,1 milhões de propriedades em todo o estado e que permite consultar quem é o verdadeiro proprietário do imóvel, qual é a sua situação jurídica atual e se existem impedimentos legais para a sua venda.
Pelo sistema é possível solicitar a certidão digital da matrícula, documento que reúne todo o histórico da propriedade e identifica o proprietário atual, além de apontar a existência de penhoras, dívidas, indisponibilidades ou outros bloqueios que possam impedir a transferência do bem.
A ferramenta atua justamente no ponto mais vulnerável das negociações fraudulentas: a falta de verificação em base oficial. Isso porque anúncios, contratos de gaveta e documentos particulares apresentados durante a negociação podem ser falsificados. “Com a sofisticação dos golpes imobiliários, a informação passou a ser a principal ferramenta de proteção do cidadão. Antes de assumir qualquer compromisso financeiro, é essencial confirmar os dados do imóvel em canais oficiais. A consulta à matrícula atualizada permite verificar a situação jurídica do bem e assegura que a negociação seja feita com transparência e segurança”, afirma a presidente da Associação dos Notários e Registradores do Estado do Mato Grosso (Anoreg/MT), Velenice Dias de Almeida.
Cautela
A CDL Sinop também alerta que o aumento das fraudes exige atenção redobrada em qualquer negociação envolvendo imóveis, principalmente nas realizadas pela internet ou por aplicativos de mensagens. A entidade orienta que compradores e locatários desconfiem de ofertas muito abaixo do valor de mercado, evitem transferências antecipadas sem documentação oficial e sempre confirmem a identidade do vendedor ou corretor.
“O cuidado precisa começar antes do primeiro pagamento. Verificar documentos, consultar bases oficiais e desconfiar de pressa excessiva na negociação são atitudes simples que podem evitar prejuízos enormes”, destaca o presidente Edmundo da Costa Marques Neto.
A CDL lembra ainda que golpistas costumam usar anúncios falsos, perfis clonados e contratos adulterados para dar aparência de legalidade às transações. Em muitos casos, as vítimas só percebem a fraude depois de efetuarem o pagamento ou tentarem registrar o imóvel.
Golpes mais comuns
Entre os golpes mais comuns estão a venda de imóveis por falsos proprietários, a oferta de propriedades inexistentes ou que não estão à venda, a negociação do mesmo bem para várias pessoas e a ocultação de dívidas ou restrições que impedem a transferência.
Um cenário em que ter acesso à informação correta passou a ser o diferencial entre realizar um investimento seguro ou assumir um prejuízo que pode comprometer economias de uma vida inteira.
Casos recentes, como a autuação de falsos corretores e a desarticulação de uma quadrilha que operava em seis estados e causou prejuízos estimados em R$ 12 milhões, mostram como o impacto dessas fraudes pode atingir pessoas de qualquer perfil.
Em muitos episódios, as vítimas só descobrem o golpe ao tentar formalizar a escritura ou registrar o imóvel, quando constatam que o vendedor não é o proprietário ou que há impedimentos legais desconhecidos.
Como se proteger
Antes de qualquer pagamento, o comprador pode acessar o RI Digital (ridigital.org.br) para verificar as informações do imóvel diretamente na base oficial. Caso ainda não tenha o número da matrícula, é possível utilizar a pesquisa para identificar imóveis vinculados ao CPF ou CNPJ do suposto vendedor.
Com a matrícula localizada, o passo essencial é solicitar a certidão digital atualizada, documento que confirma quem é o proprietário e apresenta todo o histórico do bem, incluindo eventuais dívidas, penhoras ou restrições. A orientação é só avançar na negociação após conferir se o imóvel está, de fato, em nome de quem está vendendo e se não há impedimentos legais para a transação.